Jaguari com Sambaiba

Studio, 58 75015

Onde os garotos desceram?

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Carta ao amigo Alexandre

Tudo estava desarrumado, tudo parecia contrariar o sentido exato de tudo que era sem sentido. Sim, sonhávamos com a porta aberta, com a mesa pronta, com as festas e suas diferenças. Sonhávamos com as camas desarrumadas e suas luzes mínimas.

Tudo estava fresco e todos eram testemunhas. Nossa pele estava intacta e nossas roupas, que eram poucas, festejavam a descoberta de lugares e amigos. Estávamos felizes e desacompanhados. Quantas vezes não traímos o riso para aumentar o risco?

Um espuma branca se esboça em nossas conversas, nem todos estão presentes, outros nunca mais estarão. Não satisfeitos, insistimos em aumentar o riso para reduzir o risco, em manter as camas arrumadas na intenção de simular o normal.

As luzes mínimas despertam uma saudade latente dos amantes e seu tempo infinito. Como se estivessem a navegar, cruzar um espaço curvo. Engolimos seco, fechamos as portas, desprezamos a mesa e esquecemos as festas.

Mesmo assim, uma sequência de suspiros turvos, alivia as cortinas imorais e revela um par de olhos negros. Há tempos fico por horas a observá-lo. Só não sei se hoje ou outrora.

Borboletas

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Há tantas pessoas, tantos destinos. O que faz o sol arder desta forma na nossa direção? Em que instante o sol decidiu mirar sobre nossos passos?

O instante presente estava antes latente em um casulo do acaso? Ou o instante presente é pura e tão somente uma obra do instante anterior? O instante que despertou este sol foi guiado por alguma divindade? ou a intervenção divina é exatamente a inexistência de uma divindade?

Por mais que penetremos na divisão infinita dos instantes, suas obras voam feito borboletas livres e incompreensíveis em seu silêncio.

Rosas

 

Dia de festa

 

Los Alamos

Texas

San Antonio

Ontem foi o dia de:  Malaguena salerosa (http://www.youtube.com/watch?v=kjw-I_pizp0) ou mais moderno,   (http://www.youtube.com/watch?v=NKwlhc-ZWBs&feature=fvsr). 

 Uma canção que ouço minha mãe cantar desde criança, a sua forma e em seus pensamentos. O Texas é parte do meu imaginário, das noites da Praça Kennedy, 60, Laredo, Bonanza e Chaparral. Los Álamos e os comentários de meu pai sobre a valentia dos cowboys e seus costumes. O trato das mulheres e ao mesmo tempo um ar solitário, enfim, o espírito livre  para resolver tudo no coldre e na sorte. O dolar furado com G.G. . 

O mundo foi por muito tempo para mim o Texas, onde a farsa e a verdade disputam uma linha limítrofe em que a explicação intelectual morre com seu possuidor. Mais uma vez, Malaguena sobrevive a qualquer explicação. Graças ao CoRoT vim o Texas. Graças ao Tarot, me divirto.

Ontem o bresilerito pediu Malaguena ao quarteto mexicano, que cantou sorrindo, como talvez já tenha feito centenas de vezes. Para mim, nunca é demais. O pai e o rancho: Chaparral.



XVeme – Mosaico

O XVeme desperta com um clima cotidiano, que você pode se apropriar numa sensação leve de que se trata de um dia parisiense. Crianças que vão a escola, as imensas veias sobre trilhos que trazem o trabalho para dentro da cidade e também levam para o subúrbio, imigrantes que chegam dos mais diversos cantos, alguns para o trabalho, outros para visitar os que trabalham e, quem sabe, trabalhar. As malas desenham caminhos dispersos nas escadarias do metro linha 12, nas principais vias: Convention, Vaugirard e até mesmo na pequena viela Santos Dummont.

Descendo a Convention, partindo do limite com a Rue de Vouillé, da praça Charles Valin, pode-se observar o comércio iniciar suas atividades. A Boulingerie, charcuterie, formagerie e a livraria Le Divan (incluindo a jeunesse mais divertida ainda).  Os livros da Gallimard expostos na rua, os cartões postais  e o aroma  que envolve até chegar ao metro Convention, linha 12, próximo ao cinema Gaumont. Se quiser aprender como chegar neste aromas, texturas e combinações alguns mestres rondam o bairro. Pode se dizer que a vida começa (talvez…). Se estiver com disposição, pode descer toda  Rue de la Convention e chegar ao Pont Mirabeau, onde a sua direita observará a Tour Eiffel. No caminho uma cerveja Leffe pode ser bem vinda, em qualquer bar, que talvez por sorte seja o de outono de 1973.

escrita

Caminhando

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Uma sugestão é o caminhar aleatório, descartar os guias dos melhores lugares, dos melhores bares que nunca sabemos se foram ou não pagos para estarem ali. Evitamos viver um dia de fúria e aumentamos as chances de um outro processo aleatório, mais saboroso, nos encontrar nas esquinas. Como escreveria Poisson ( \frac{e^{- \lambda} \lambda^k}{k!} ).

Entretenimento – Pariscope

Ministério

A cidade tem uma amplitude que vai além das distâncias temporais e geográficas. Você pode usufruir do clássico, do universal, do árabe e belas fotos de Cartier Bresson,  e outros olhares (RD). O jazz e as vezes echec et jazz. Quantas moedas tem no bolso?.

Um pouco de música pode ajudar como a divertida Vesoul com Brel e Marcel Azzola, ou mais dramático em 1962, canções do pop francês ou o pianista do norte. Ou até mesmo de TV que já teve uma bela abertura com a canção de Lili Boniche “Ana El Owerka”.

Comedie Française

Comedie

Comedie  – num dia de chuva qualquer.

A linha 12 leva para a região de Pigalle e Montmartre. Para alguns uma região sombria para outras uma atmosfera para se respirar longe de muita ostentação. Música, artigos eróticos, boa comida além de um universo bem rico. Um outro destino que parece encurtar as distâncias do mundo, como entrar na República e sair na Republique: o mercado.

Uma alternativa interessante é andar em direção ao Institute Pasteur, com disposição pode-se chegar a Montparnasse. No mês de abril geralmente há o festival de cinema brasileiro em algum dos cinemas desta região.

Ile de la cite

Artista – Île de la Cité

Os filmes de época como Mon oncle a A bout de soufle são deliciosos para deixar que um pouco da França deixe de lado outras âncoras que temos. Ficamos mais leves e apreciamos os artistas de rua, afinal, é um teatro a céu aberto. Física? matemática? Fourier, Laplace, Cauchy, Coulomb, Lagrange, Poincaré,… e belos livros antigos e reeditados em diversas livrarias.

Jardim

Jardim

Saudade do Brasil antes do aeroporto – samba de Orly? também tem boa comida para continuar a caminhada.

Paris

Paris

 Qui vit sans folie n’est pas si sage qu’il croit – François de La Rochefoucauld

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