Onde os garotos desceram?

by jaguari

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Carta ao amigo Alexandre

Tudo estava desarrumado, tudo parecia contrariar o sentido exato de tudo que era sem sentido. Sim, sonhávamos com a porta aberta, com a mesa pronta, com as festas e suas diferenças. Sonhávamos com as camas desarrumadas e suas luzes mínimas.

Tudo estava fresco e todos eram testemunhas. Nossa pele estava intacta e nossas roupas, que eram poucas, festejavam a descoberta de lugares e amigos. Estávamos felizes e desacompanhados. Quantas vezes não traímos o riso para aumentar o risco?

Um espuma branca se esboça em nossas conversas, nem todos estão presentes, outros nunca mais estarão. Não satisfeitos, insistimos em aumentar o riso para reduzir o risco, em manter as camas arrumadas na intenção de simular o normal.

As luzes mínimas despertam uma saudade latente dos amantes e seu tempo infinito. Como se estivessem a navegar, cruzar um espaço curvo. Engolimos seco, fechamos as portas, desprezamos a mesa e esquecemos as festas.

Mesmo assim, uma sequência de suspiros turvos, alivia as cortinas imorais e revela um par de olhos negros. Há tempos fico por horas a observá-lo. Só não sei se hoje ou outrora.

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