Saudade 75

by jaguari

stones

Casa Nova

Fomos tão felizes e tão intensos. Houve tanto riso e renuncia, que as vezes me sinto vestido de uma covardia indolor. Tanto me alimentei desta festa que criei cicatrizes falsas e minha estupidez trocou de lugar na razão. Seu espírito livre ainda me embala e me acompanha. Sua inexistência e sua existência anterior não se contradizem, coexistem em uma harmonia que me faz sangrar. Passo meus dedos fracos pelos cordões vermelhos que escorrem, e levo a boca para ver se desperto. Cada vez que me levanto, o mundo gira e me deito em minha rotina de verdade. São poças e poças e sangue inocente, sangue de tudo que vivemos.

Lembra do tango? eu lembro, e como lembro. Acaricio suas costas, seus cabelos e suas histórias. Não quero nada em troca, nem voltar no tempo, nem uma sexta-feira. Quero continuar nossa história, incondicional. Saudade.

 

 

 

 

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