01.06.2010

by jaguari

…. meu pai era o das jaboticabas… Recordo-me de quando compramos uma boa casa em Santo André, cada um procurava sua identidade dentro dela e meu pai se encantou com um pé de jaboticabas no quintal. Por muito tempo foi seu canto, encanto e recolhimento, uma forma de estar onde queria estar. Foi menino de vestir as botinas com 11 anos e partir de Cedral para a cidade grande para comer arroz a querosene deixando o fogão a lenha na lembrança. Como voltar sem abandonar tudo? harmonizando com as jaboticabas. Se fosse possível uma trilha sonora seria a moda “Saudade da minha terra” ponteada sob o aroma das jaboticabas, onde o sertanejo canta “De que me adianta viver na cidade se a felicidade não me acompanhar…”. De certa forma partiu de madrugada embalado por outro trecho “Adeus paulistinha do meu coração lá pro meu sertão eu quero voltar…”.

        Para mim, meu pai era daquelas reservas de pessoas que se fizeram pela vida, um pouco distante das academias, dos dogmas religiosos e de certa forma da ciência. Digo reserva pois seu emaranhado foi criado por ele mesmo imerso na sua história, dificil de explicar, talvez na metafora: de viver entre predios é suportável pois sabemos que em algum lugar a natureza ainda guarda um pouco de nosso lado mais primitivo, seria suportavel se não?

Print Friendly, PDF & Email